Postagem por:
Rebeca Gois
06 fev.2020

A primeira capa de revista da era “Rare” está entre nós e traz uma Selena diferente da que estamos acostumados: mais ousada, conceitual e honesta.

Com texto de Emily Segal, fotografia por Brianna Capozzi e entrevistada por amigos, colegas de profissão, ativistas e fãs, confira as imagens do shoot que dividiu a fã-base e leia a tradução na íntegra da matéria publicada pelo site.

| Selena para a Dazed |

TRADUÇÃO COMPLETA

De volta com um novo álbum, a estrela pop se aprofunda em ativismo sobre imigração, identidade latina, sua canção favorita de karaokê, com perguntas feitas por Timothée Chalamet, Jim Jarmusch e Yara Shahidi – além de questões de seus maiores fãs no mundo todo.

Esse foi o paradoxo de autenticidade das celebridades nos anos 2010: Nós sabíamos que uma imagem foi construída, mas precisávamos dela, queríamos que fosse real de qualquer maneira, e sabíamos que nossa necessidade disso distorcia o objeto de nosso desejo, mas não ignoramos isso ou não ligávamos o suficiente e lamentamos que não era possível se importar o suficiente quando era realmente importante. Nesse cenário, Selena Gomez fez o impossível. Ela se tornou uma estrela pop que ainda se sente completamente verdadeira, que comenta sua fama de uma maneira que se parece menos como algo pós-moderno instantâneo e mais com o que você imaginaria de uma amiga dizendo sobre as experiências dela como se você estivesse passando pela mesma coisa. Ela é a a super estrela mais normal de todos os tempos, fofa, sexy e ‘de boas’ ao mesmo tempo, retrô e contemporânea ao mesmo tempo, resolvendo contradições de ambos lados. E, se alguma vez parecer artificial, ela mesma dirá. “É muito cansativo interpretar um personagem com algo tão pessoal como a música”, explica Gomez quando conversei com ela na semana em que seu ardente e sensual álbum foi lançado, em uma entrevista composta por perguntas de colegas músicos, atores, ativistas e fãs: “Não posso ser mais ninguém, essa é a verdade.”

A carreira de Gomez se desenvolveu em trilhos tão específicos para esta geração, que quase define a explosão (e perversão) da máquina da fama de uma época. Primeiro houve ‘Barney e seus amigos’, ‘Os Feiticeiros de Waverly Place’, da Disney, e seus primeiros lançamentos com a banda Selena Gomez & The Scene. Depois, enquanto Gomez se tornava uma massiva estrela do pop em carreira solo, ‘Spring Breakers’, de Harmony Korine, sinalizou uma mudança para seu crescimento como mulher e uma pureza em falta. Não vamos esquecer facilmente de sua honestidade ao falar sobre seus problemas com saúde mental, sua luta contra o lúpus ou o transplante de rim com sua melhor amiga. Em 2016, quando o Instagram cravou sua presença na vida real, ela se tornou a pessoa mais seguida do mundo na plataforma – depois falou decididamente sobre como o app é incompatível com ter uma sólida noção de quem você é. Mais recentemente, ela produziu a série documental ‘Realidade Não Documentada’, revelando o terror causado pelo ICE nas fronteiras através de histórias reais de famílias atingidas pelas políticas de imigração Trumpianas – inspirada pela história de imigração de sua própria família para os Estados Unidos. Gomez é honesta sobre assuntos difíceis: estes são seus tópicos, e eles são legítimos.

Ao mesmo tempo, a vida de Gomez não é um pornô traumático. Não é um convite obsceno para a contemplação de uma ferida aberta. Pelo contrário, Gomez permanece com o problema. Ela diz abertamente que nunca estará completamente bem, ela sempre estará trabalhando nisso, e tudo bem. Ela evita a tensão da feminilidade contemporânea vendida para nós como revolucionária quando na verdade não é nada disso, ela faz isso casualmente e com sua sinceridade de sempre. Ela estranhamente me lembra de uma querida apresentadora de TV mirim, Mister Rogers, pela forma como ela fala diretamente com todo mundo, com a particularidade universal de cada um de nós. Ela sente sua dor, e nós sentimos a dela; uma nova década está começando e nós vamos crescer nela, juntos. Selena: nós te amamos. Você é rara!
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Elle Fanning: Qual foi a primeira canção que você consegue se lembrar de ter cantado?
Selena Gomez: ‘Magic’, do Pilot, quando eu tinha 14 anos… Aí meu Deus, essa é uma das boas. É louco só de pensar nisso. [No quanto a música é boa]

Petra Collins: Se você pudesse fazer parte de qualquer filme de terror, qual seria?
Selena Gomez: Provavelmente seria ‘Psicose’ do Alfred Hitchcock.

Yara Shahidi: Qual é uma das suas fontes de inspiração que pode surpreender as pessoas?
Selena Gomez: Minha melhor amiga, Petra, me inspira demais! Ela também inspira minha dor (risadas), meu coração…

@sexlikeselena: Qual foi a parte mais assustadora de lançar um álbum depois de quatro anos?
Selena Gomez: Pensei que ninguém iria gostar e que a minha carreira como cantora terminaria. Eu realmente pensei nisso. Eu trabalhei tão, tão duro neste álbum. Poderia ter saído e fracassado completamente, e e agora, bem, para onde eu vou deste ponto? Eu teria questionado tudo porque duvido muito de mim mesma e é aí que eu teria terminado – é um ciclo vicioso. Estou feliz que esteja indo bem. Mas fiz tudo o que pude para torná-lo o mais pessoal e real possível.

Finneas: Como uma musicista que tem performado profissionalmente há mais de uma década, o que te faz olhar para trás, no início de seus relacionamentos amorosos e de sua carreira, que te faz sentir vergonha?
Selena Gomez: Na primeira parte da pergunta, eu diria que (relacionado ao amor) minha inocência. Para a segunda parte – meu estilo. Meu estilo de música e meu estilo em geral. Apenas não foi uma boa combinação. Tenho orgulho de todas as músicas que lancei, é claro, mas era uma época tão diferente que às vezes, quando a ouvia, eu pensava: ‘Oh não!’ (Risos)

Jim Jarmusch: Eu amo a sua voz e seu estilo vocal. Você se inspira em cantores de épocas anteriores as suas?

Selena Gomez: Eu amo o estilo suave e roco de vocais de épocas passadas. Eu me pego ouvindo Billie Holiday, Patsy Cline, Carole King e Ella Fitzgerald o tempo todo, especificamente por causa dos tons distintos de suas vozes.

Timothée Chalamet: Se você pudesse trabalhar com qualquer pessoa da indústria de filmes, seja do passado ou do presente, quem seria?

Selena Gomez: Martin Scorsese – Mãos para baixo [Em forma de reverência]

Halima Aden: De uma embaixadora para outra, qual seria uma de suas melhores memórias relacionadas a seu trabalho com a UNICEF?

Selena Gomez: Oh cara. Uma das memórias é quando eu tirei fotos no meu telefone dessas crianças no Chile e mostrei a todos e eles ficaram tão animados. Eles nunca tinham visto uma fotografia de si mesmos na vida. Até a água tinha uma qualidade tão ruim, que eles nem mesmo nunca tinha visto o seu reflexo. Eu me lembro de que foi um momento tão doce pois, claro, estávamos fazendo o possível para ajudá-los – providenciando água potável, educação, construindo escolas, hospitais – mas quando você fica cara a cara com essas crianças, jogando futebol com garrafas de plásticos amaradas com elásticos, vê-los felizes e animados é realmente especial. E eu nem sou uma boa jogadora de futebol… Eu só finjo (risos).

Bad Bunny: Você tem um nome e sobrenome latino devido ao seu pai. Como uma estrela pop mundial, você sente que representa os latinos mesmo cantando suas músicas em inglês?

Selena Gomez: Mil por cento de certeza. Eu sempre sou muito aberta com relação a minha descendência, até falar sobre imigração e sobre meus avós terem cruzado a fronteira de forma ilegal. Eu não teria nascido caso eles não viessem pra cá. Eu tenho tanto respeito e apreciação pelo meu último nome. Eu lancei muita música em espanhol e isso será algo que acontecerá com ainda mais frequência. Então há muito mais que eu gostaria de fazer porque eu não faço isso com descuido, eu tenho muito orgulho.

Natascha Elena Uhlmann: Obrigada pela sua vulnerabilidade em mostrar suas próprias experiências familiares em relação a imigração. Minha mãe veio para o Estados Unidos sem documentos e me apavora o quão hostil o mundo tem se tornado desde de então. Como você balanceia essa importância de compartilhar suas experiências com o sistema – dando a eles um rosto humano – com o medo de colocar os que você ama em risco.
Selena Gomez: É definitivamente assustador, mas eu penso que as vezes você tem fazer coisas que te assustam com o objetivo de chamar atenção de outras pessoas. Meu objetivo era simplesmente humanizar as pessoas, pois eles estavam sendo chamados de aliens, criminosos e eu não consigo imaginar o que essas crianças que foram separadas de suas famílias estão passando. Isto é algo que irá traumatiza-los por toda a vida. Parece tão animalesco. É assustador mas eu acho que é algo que precisa ser falado, então é nisso a onde meu coração focou quando eu fiz aquele projeto (Living Undocumented) que falou sobre um problema tão grande.

Brianna Capozzi: Se você pudesse apertar um botão hoje e se livrar do Instagram, você apertaria?

Selena Gomez: Ai, Deus! Eu acho que um monte de gente não gostaria de mim por dizer que sim (risos). Se eu pudesse encontrar uma forma balanceada e neutra seria ótimo, mas eu estaria mentindo se dissesse que isso não está destruindo um pouco a minha geração, sua identidade. É um dos grandes motivos pelos quais eu dei o nome “Rare” ao meu álbum – porque há tanta pressão em se parecer com todo mundo. Foi assustador voltar [para o Instagram] – nos primeiros quatro dias eu estava pensando “Não, eu não vou conseguir fazer isso de nenhuma forma”. O que eu faço agora é entrar só quando eu sinto que preciso, e depois eu deslogo da conta, não vou tirar um tempo pra explorar ou para olhar nada mais.

Anna Chai: Você se arrepende de alguma coisa?
Selena Gomez: Não, não. Quero dizer, existem certas coisas que eu desejaria que não tivessem acontecido comigo. Mas sem elas, eu não teria me tornado na voz que represento para as pessoas que passam pelas mesmas situações. Sabe, conviver com o lúpus e o transplante de rim, lidar com a fama e ser rebaixada, lidar com depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental que eu tive. Tudo isso foi um pouco confuso. Quando “Lose You To Love Me” saiu, eu dei um passo pra trás e tive um pensamento no momento: “Oh, essa é uma grande razão pela qual eu tive que passar por isso”. Eu pude lançar uma música que, com esperança, vai ajudar a curar algumas pessoas ou que simplesmente as faça saber que não estão sozinhas. Pessoalmente, ia deixar passar e quando tudo aconteceu, algo em mim mudou. E é por isso que eu sou grata pelos capítulos da minha vida. E eu não estou dizendo que será fácil daqui pra frente, mas eu tenho muito mais força e coragem e uma voz maior para defender o que eu mereço.

Nicolas Ghesquière: Selena, você tem um gosto muito individual por moda e se transformou em um ícone de estilo ainda muito nova. Você pode falar mais sobre sua jornada em descobrir seu estilo?

Selena Gomez: Eu tenho que confessar que eu estava simplesmente caindo de paraquedas (risos).

Tainy: Qual é sua canção latina favorita?

Selena Gomez: ‘Obtener un Si’, da Shakira. É do álbum de 2005 (Fijación Oral, Vol 1).

Vaquera: Qual foi seu primero CD?

Selena Gomez: Britney Spears, ‘Baby One More Time’. (risos) Eu era viciada! Ela também foi meu primeiro show e inspiração pra decoração do meu quarto. Até o interruptor do meu quarto tinha algo da Britney colado nele. Eu a conheci alguns anos atrás e foi como se eu fosse uma garotinha de novo.

@videosofgomez: O que você vai deixar nos anos 2010?

Selena Gomez: A década? Só quero deixar para trás aquela garota que era tímida, fraca, abusada e silenciada. E agora estou começando a ser quem eu sempre deveria ter sido. Eu vou deixá-la para trás. Estou me despedindo. Eu sou quem eu sou.

Brianna Capozzi: Agora que estamos tão ligados em nossos celulares e seguidores, como você se protege de perder a visão sobre quem você realmente é?

Selena Gomez: Bom, eu não leio nada. Isso tem sido difícil, porque eu costumava ler tudo por tanto tempo. Mas eu não leio mais, é sério. Sabe, quando eu descobri que “Rare” estava recebendo ótimas críticas, eu adorei saber, mas eu não consigo prestar atenção, porque no momento que eu leio, eu começo a me sentir insegura e me sinto vazia. É tão melhor não saber, algumas vezes.

@amazingsgomez: Qual é sua canção favorita do novo álbum?

Selena Gomez: ‘Vulnerable’. Eu não sei onde ouvi isso, mas alguém disse que essa música era o coração do álbum e isso foi um grande elogio pra mim. Eu acredito que é bem autoexplicativo, mas sou eu dizendo que estou querendo dar mais de mim, você é capaz de lidar com quem eu sou e com o que eu preciso como mulher? Porque eu não vou aceitar nada menos que isso.

Simon Porte Jacquemus: Qual é sua canção francesa favorita?
Selena Gomez: Angèle, ‘Balance Ton Quoi’. E eu preciso dizer ‘La Vie en Rose’, porque é simplesmente maravilhosa.

Brianna Capozzi: Quem te faz rir a ponto de doer a barriga?
Selena Gomez: Meu Deus… Amy Schumer! E a Liz, uma das minhas melhores amigas. Ela é histérica.

Vaquera: Qual é a sua raça de cachorro favorita?
Selena Gomez: Eu amo todos os cachorros! Eu tenho um maltipoo agora, então vou ser meio tendenciosa e dizer que é maltipoo.

Jose Antonio Vargas: Como uma pessoa sem documentos que conversa com muitas pessoas todos os dias, eu gostaria de saber qual história de “Realidade Não Documentada” ressoou mais entra a audiência?
Selena Gomez: Bom, a razão pela qual tivemos oito famílias na série é porque eles estavam dispostos a se arriscarem para fazer isso, porque eles acreditaram na mensagem. Eu acho que as melhores histórias que eu ouvi são de pessoas que talvez não tenham tido tempo de entender aquele lado do que estava acontecendo – pessoas que estavam tão envolvidas por aquilo que talvez não estivessem acompanhando, se é que faz sentido. Ao mesmo tempo, as famílias que fazem parte da série, podem ver o que eles fizeram pelo país – isso é algo verdadeiramente memorável. Pessoas vêm até mim na rua e me perguntam como eu pude fazer isso e se existe algo que podem fazer para ajudar essas pessoas e, sabe, eu tenho recursos: tenho esses dois ótimos advogados, as mulheres do serviço social que foram muito gentis. Poder levá-los até essas pessoas significa muito.

De quais formas essas famílias da série – e sua própria família – são completamente americanos?
Selena Gomez: Eles vivem o sonho americano. Eles não causam sofrimento: este era pra ser um dos melhores países do mundo por este motivo. E ouvi-los terem tanto orgulho de fazer parte do nosso país é lindo. Eles só querem uma vida saudável e segura com suas famílias e filhos. Eles têm muito a oferecer.

Brianna Capozzi: Com quem você gostaria de ficar presa em um elevador?

Selena Gomez: Princesa Diana. Ela foi uma guerreira; Eu amo tudo o que ela fez. Tem uma entrevista que eu nunca vou esquecer, onde disse algo como ‘Eu quero ser a rainha do coração do povo’. Você sabe, ela não ligava necessariamente para todas as regras que eram impostas a ela.

Emily Segal: Eu amo as histórias sobre ela ir disfarçadas a bares gays em Londres.

Selena Gomez: Sim, tipo, qual é! Ela é tão… Aff! Eu não consigo acreditar. Só queria que ela estivesse aqui.

Vaquera: Qual é sua música de karaokê favorita?
Selena Gomez: Qualquer coisa da Cardi B. Eu a amo taaaanto, ela é muito engraçada e brilhante. Eu consigo me transformar em uma personagem – eu gosto de fingir que sou uma grande rapper, o que eu não sou.

@selenatorslatinas: Qual canção do seu novo álbum reflete seu crescimento pessoal e mostra sua força como pessoa?
Selena Gomez: Eu diria ‘Vulnerable’, novamente. Ou, talvez, ‘Ring’, que é muito mais atrevida: normalmente eu sou bem tímida, mas eu acho que essa música representa um momento em que eu penso “Eu estou bem em ter o controle e saber que tenho a habilidade de dizer sim ou não”, mas também esperar pelo melhor. Eu espero o melhor e mereço o melhor.

Emily Segal: Uma das coisas que eu fiquei surpresa ao saber em sua entrevista para a Beats é que sua canção (A Sweeter Place) foi mostrada ao Kid Cudy sem sua permissão. Eu fiquei meio chocada.
Selena Gomez: Eu também fiquei. Eu tenho medo de rejeição e a possibilidade até foi discutida, mas eu não estava suficientemente confiante. Isso não acontecerá novamente porque tivemos uma conversa muito, muito séria. De qualquer forma, quando deu certo, eu fiquei muito emocionada, foi um verdadeiro sonho se realizando.

Katherine Langford: O que você gostaria de estar fazendo daqui 10 anos?
Selena Gomez: Espero que esteja fazendo mais filantropia enquanto mantenho um equilíbrio saudável com as coisas que eu gosta agora. Eu acho que isso também será uma surpresa. Mas eu espero estar super feliz e criando boas coisas para o mundo.

Emily Segal: Eu espero que sim, do fundo do coração.
Selena Gomez: Obrigada! Eu acho que essa é uma das minhas entrevistas favoritas porque você não perguntou qual é minha cor favorita (risos).

Tradução e adaptação: Equipe Selena Gomez Brasil

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